Sunday, March 5, 2006

Manuel Teixeira Gomes, a história e a imprensa

A imprensa de hoje rasga imensos elogios ao homem e à obra de Manuel Teixeira Gomes, a propósito da viagem que Jorge Sampaio fez a Bougie, cidade onde viveu os últimos dias, que ainda foram algums anos, o presidente da República Portuguesa que, a meio do seu mandato, resignou do mesmo, para não mais voltar, vivo, a Portugal.

 

A imprensa de hoje realça os grandes atributos deste homem superior que serviu o Estado português sempre que a República dele precisou para o desempenho de funções tão altas, como: 1 - a do reconhecimento do regime republicano, logo após a sua proclamação, no território mais difícil, como era a monárquica Inglaterra que tinha recebido os soberanos portugueses, onde se movimentava o antigo embaizaddor português Luís de Soveral e onde tudo se fez para inviabilizar o novel regime português; 2 – a participação de Portugal na Primeira Grande Guerra, quando essa beligerância mais conveio a Portugal e menos conveio à Inglaterra; 3 – o desempenho das funções do mais alto representante da Nação e como garante da unidade entre os republicanos. 

 

Muitas décadas depois da sua morte, a História deu-lhe razão e reconheceu a grande elevação da sua estatura e da qualidade da sua obra literária tal como da sua intenvenção enquanto diplomata e enquanto presidente da República.

 

E não foi só o mundo dos partidos que o derrotou. A imprensa da época tentou desfazer a sua imagem usando todos os meios:

- que era um joguete nas mãos de Afonso Costa, disposto a fazer os fretes políticos que fossem necessários aos jogos partidários do caudilho do Partido Demmocrático;

- que a sua intervenção nas negociações da participação de Portugal na guerra foram de subserviência em relação à Inglaterra;

- que a sua obra literária era se má qualidade e o seu autor, um homem indigno que foi capaz de assinar títulos como “Cartas sem Moral Nenhuma” ou “Novelas Eróticas”;

- que a sua imagem pública não estava à altura das funções presidenciais dadas as suas relações com a mãe das suas filhas.

 

A História pode ter uma memória demasiado longa, mas alguma imprensa tem uma memória curta demais!

 

Posted by Francisco Carromeu in 16:46:08
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