Monday, April 3, 2006

Carlos Alberto Idães Soares Fabião (1930-2006)

Perdi um amigo que tinha desde Janeiro de 1994. Lembro-me, como se fosse hoje, como nos conhecemos e como nos tornámos amigos. E tantas horas de conversas mantivémos, falando de história, da dos outros porque da dele, nunca começava por sua iniciativa. Tinha bons conhecimentos de história contemporânea, do final da monarquia e da Primeira República e da Carbonária Portuguesa. Daí o grande apreço que tinha por Luz de Almeida, por Machado Santos e pela «Montanha». E pelo General Gomes Freire de Andrade. Os militares com causas e com coragem era o seu espaço na sua memória da história. E eu aproveitava esse seu entusiasmo, entrecortado aqui e ali, com episódios da Guiné ou de Angola, sem nunca lhe ter reparado um azedume, uma queixa, uma outra ambição que não fosse a da sua pátria.

Tinha tido um papel importante nos idos de 1974 e 1975, mas falava sempre com a humildade de caracteriza os grandes homens. “Nós de política não sabíamos nada e a única coisa que queríamos era fazer era a passagem da revolução para os partidos … o lugar dos militares não é na política … e não podíamos deixar cair o país na guerra civil … foi muito difícil, tínhamos de olhar para todos os lados”. Esteve mais do que uma vez para ser primeiro ministro, da primeira não quis, depois talvez aceitasse mas foi só preciso haver uma pequena discordância partidária para, ele próprio tentar encontrar outra solução.

Respeitado à esquerda e à direita, por brancos e por negros e eu fui testemunha desse reconhecimento prestado publicamente, já ao velho Fabião, pelos líderes polícos africanos. Temido como militar e muito respeitado como homem.

Era assim um militar, dos mais condecorados do exército português, antes e depois do 25 de Abril, sempre disponível para ajudar os outros e o regime que muito ajudou a construir. Esteve do lado certo da história e com maior serenidade, esta há-de um dia reconhecer o seu valor.

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Sunday, April 2, 2006

Andam por aí - I

“Andam por aí” uns senhores organizados à volta da Revista Atlântico, dos blogues “O Acidental”, ou “O Espectro”, em jornais como “O Diário de Notícias”, em canais de televisão como analistas políticos e em grupos parlamentares à revelia das direcções partidárias, supostamente em nome de um liberalismo político de contornos muito interessantes.   

Pacheco Pereira classifica-os de 3.º Caderno do “Independente” e filia-os sob a paternidade de Paulo Portas que julga vir preparando, a frio, um regresso a uma certa liderança da direita portuguesa num novo partido a constituir. 

Pouco me interessa se o grupo dos que andam por aí, andam mesmo, de onde vêm ou para onde vão, se o caminho for da afirmação livre das suas convicções. Mas já não me agrada a ofensa gratuita, a suspeição por palpites, a falta de seriedade intelectual que se usa, tipo vale tudo, para levarem a água ao seu moinho. 

Ainda há pouco, num post de “O Espectro”, de 5 de Março, a propósito da homenagem que o então presidente da República Jorge Sampaio fazia a Manuel Teixeira Gomes, numa última viagem oficial, à Argélia, Vasco Pulido Valente caluniava de “pedófilo” o presidente da República que vivera os últimos dias em Bougie, apresentando como provas da sua acusação o facto de André Gide considerar que o Norte de África era, em 1924 “o paraíso dos pedófilos” e que Bougie era uma cidade do Norte de África. Logo, “Teixeira Gomes queria rapazinhos. E, de quando em quando, virgens de 11, 12 anos, para como ele disse, lhes «colher as primícias»”, acusa Vasco Pulido Valente, qual delegado do Ministério Público da República de Bananas onde o bloguista talvez gostasse de viver, porque teria então muitos mais papalvos a ler as suas descabidas prosas. E não contente com a difamação a Teixeira Gomes, Vasco Pulido Valente não se coibe em afirmar que não é ingénua a escolha de Sampaio. Costumes, diz ele. Falta de pudor de VPV, digo eu.

Posted by Francisco Carromeu at 04:18:42 | Permalink | No Comments »