Thursday, March 2, 2006

Encerramento de Escolas

Grande parte das pessoas que entram na discussão pública sobre a questão da proposta do encerramento de escolas que o Ministério da Educação lançou recentemente, não faz ideia nenhuma das condições de funcionamento de algumas dessas escolas, dos seus resultados pedagógicos, das suas despesas e da sua função relativa na comunidade.

Grande parte das escolas que o Ministério da Educação de propõe fechar não tem 20 alunos (a grande maioria não tem sequer 10), repartidos por quatro turmas correspondentes aos 4 anos de escolaridade, ou mais, se incluir o ensino pré-primário, concentrados em um ou dois docentes, todos em simultâneo, no mesmo espaço.

Coloque-se na posição do aluno: imagina-se a partilhar o mesmo espaço da sala de aula, ao mesmo tempo, com tantas classes?; imagina-se a só poder contar com a sua senhora professora, apenas durante 15 minutos, em cada hora lectiva?; imagina o acompanhamento pedagógico dos alunos destas turmas?

Coloque-se na posição do docente: como é, orientar pedagogicamente 2 ou 4 classes ao mesmo tempo, com alunos de níveis etários tão diferentes, no mesmo espaço?

Coloque-se na posição dos encarregados de educação: é este o ensino que quer para os seus filhos, no início do século XXI; esta escola prepara-os, nas melhores condições, para o prosseguimento de estudos ou para a vida activa?; como são dadas as aulas de educação física nestas escolas?; como são fornecidas as refeições?; como é garantido o transporte?; como é garantida a vililância e a segurança?; como é garantido o acesso às novas tecnologias?

Coloque-se na posição do Estado: como pode ele conviver com taxas de insucesso e abandono escolar, com estas condições, sem se questionar?; como pode conviver com racios de 1 professor para 6 alunos, como tinha ainda há pouco tempo na área da DREL?; como pode conviver com o nível geral de despesa do seu ministério, com resultados pedagógicos e financeiros tão maus?; como pode conviver, com os professores e funcionários, entre os mais mal pagos da Europa, com um orçamento para educação que é dos mais bem pagos da mesma Europa?; como pode o Ministério da Educação gastar bem os seus recursos financeiros, sem alterar alguns destes procedimentos?; como explica a senhora ministra, no conselho de ministros, tanta despesa, tantas queixas, para tão poucos resultados?

É possível fazer muito melhor, gastando muito menos. É possível garantir melhores meios e usufruir de melhores recursos. O Ministério da Educação ainda tem um imenso campo de manobra para poder poder apresentar resultados surpreendentes. Estudar bem os dossiês, ouvir todos os que devem ser ouvidos, mas não pode é dar muita atenção a todos os que apenas se gostam de ouvir.

Posted by Francisco Carromeu at 13:06:41 | Permalink | No Comments »